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Mendigos

June 11, 2007

Se você acha que em São Paulo tem um mendigo em cada esquina, espere para ver San Francisco. Realmente estou impressionado com duas coisas: a quantidade de gente pedindo dinheiro nas ruas e a quantidade de galerias de arte expondo pintores orientais. Nos dois casos, parece um encontro, coisa combinada. Agora à noite saí do hotel para dar uma volta na redondeza, procurando um lugar para comer. É um enorme contraste. Do lado de dentro das galerias, quadros de orientais no melhor estilo Heroes. Pinturas em telas gigantes e coloridas, que lembram os quadrinhos de Roy Lichtenstein. Não. São maiores, mais agressivas e mais modernas. Além dos japoneses, vi muitos Mirós e até um pequeno Pissaro. A moda é iluminar um detalhe do quadro e não a tela toda. Do lado de fora, nas ruas, existem dois tipos de pirados: o primeiro tipo são, geralmente, mulheres que gritam sozinhas, descabeladas, falando com elas mesmas. O tipo dois são aqueles pedintes humildes, ex-militares, losers em geral, com suas latinhas ou cartazes tentando ser convincentes. Publicitários, enfim, com seus títulos: “Sou só eu e meu cachorro. Nos ajude.”. “Gimme some spare change…it’s not for pot”. O mais criativo, esse merece o Cannes da esmolice, uma mistura de maluco do primeiro tipo com mendigo do segundo tipo. Trata-se de um senhor de cerca de 80 anos que fez uma vara de pescar encaixando uns dez canudinhos em sequência, pendurou um fio com um copo de papel na ponta e fica sentado na calçada, literalmente pescando esmola. Gênio.

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